Espiralados Surdos Ecos
A mulher mais solitária do mundo sou eu.
Eu sou a mulher mais solitária que o mundo já viu.
Nunca houve, nem haverá, no mundo, mulher mais solitária do que eu.
Eu sou uma mulher que vive, no mundo, solitária.
Essa é a pior das sensações que já senti.
Nunca senti sensação pior do que essa.
Essa, das sensações que já senti, é a pior de todas.
Galhos secos estalam no chão sem que eu os pise.
As folhas secas, pelo sol queimadas, estalam no chão como galhos secos; caíram das árvores.
Este momento, em que vivo, é eterno.
É eterna a sensação, os galhos secos.
Este momento é o mais longo que já vivi.
Os animais pequenos, os animais pequenos.
A nuvem cinza que só chove sobre mim.
Eu sou a mulher mais solitária que o mundo já viu.
Eu sou uma mulher muito solitária.
Jazz said,
October 28, 2007 at 5:07 pm
Hum… a oslião é boa para quem faz arte.
André said,
October 28, 2007 at 5:20 pm
é boa. o problema é que os artistas nunca deixam de ser humanos. essa é a grande merda.
V. said,
October 28, 2007 at 9:37 pm
Sentada, roxa, seus olhos e dedos gritam a explosão roxa,
sentada, seus olhos gritam, mas é claro, sentam,
e estão próximos, muito próximos…
Sentada, roxa, ela descobre seus olhos no matagal
Será seu coração sob o plástico dos calçados?
Sua alma na genitália exposta no outdoor?
Sentada, roxa, ela é morna como quem caminha
morna, roxa, sentada, ela caminha como quem senta,
Multidão, multidão e montanhas,
E ri como quem chora, trístissima, trístissima
e circense, palhaço e morte.
L.M. said,
October 29, 2007 at 6:37 pm
“Sentada, roxa, ela é morna como quem caminha
morna, roxa, sentada, ela caminha como quem senta,
Multidão, multidão e montanhas,
E ri como quem chora, trístissima, trístissima
e circense, palhaço e morte.”
Transubstanciação, troca de sangue, amizade e morte.
Olha o teu olho e encontra o meu.
E, caso eu feche o meu, lava o teu olho,
que enxerga tão bem que te faz lagrimar.
Segue o teu olho – que o meu
se foi forçado a fechar.
Emmanuel said,
November 1, 2007 at 1:21 pm
Esse também é muito bom, algo como a psicótica andando pelo quintal do sanatório no dia da visita, quando ninguém foi visitá-la. É o que se chamaria, em análise do discurso e em psicanálise, de discurso obsessivo.
Belle Annelise said,
November 2, 2007 at 2:23 am
Não queira competir comigo, pequena Nercisse. Adorei a réplica nos comentários.
Belle Annelise said,
November 2, 2007 at 2:24 am
Medo, tem um psiquiatra por essas bandas… Agora que vi. Vou fuigr já daqui. Mas volto, com certeza!
Vinícius said,
November 2, 2007 at 8:35 pm
Não gostei. Está muito excessivo. Os versos do meio, sozinhos, seriam muito melhores. Prefiro a condensação ao esparramar-se.
o objeto do estudo said,
June 2, 2008 at 1:15 am
o que seriam dos poetas, escritores, pensadores, tristonhos, sem seus objetos de estudos?
Em algumas situações brincam descaradamente com estes, mas a estes a sabedoria de ainda ver a luz do quadro de pinturas escuras que tenta e tenta íntar-se de negro.