Carta à sombra da árvore de natal

December 25, 2007 at 5:39 am (Uncategorized)

“E só não deixo um bilhete de suicídio porque todas as cartas de amor são ridículas.”

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Indelével

December 15, 2007 at 11:55 pm (Uncategorized)

- Ao Rômulo

Olho o relógio de cima
da mesa de cabeceira
onde repousa o tranqüilo
sono do tempo que gasto
roendo o fio melancólico
que me martiriza com vida.

A vida inteira se passa
nesse segundo em que olho
o tempo da cabeceira;
meus olhos nesse relógio
como se solidarizam
com todos os outros que pousam
cada um sobre seu próprio tempo,
num triste prolongamento
das horas cansadas que existem.

Se não contemplasse o relógio,
as horas existiriam,
mas de um existir menos tenso
do que esse que se conscientiza
- ou, antes, se sente -
acorrentado à corda que o prende
ao indelével, que,
paradoxalmente, existe.

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