Lori. Estás viva? Só hoje vim ler teu derradeiro comentário. Estou sem net no trampo e aqui de casa a conecção é por demais lenta. Não estou com cabeça para responder agora, até porque estou de saida. Hoje eu estou bem. Há uns dias atrás estava… bem. ce sabe. Te respondo daqui a pouco. Beijos.
Lorena, tu és incrível!
o peso que carregamos é por se dar conta das coisas, boas e más. Tudo é movido pela contradição, eu-tu, bem-mal, dia-noite, tese-antítese, ying-yang, essas coisas. Sou maniqueísta. Veja o computador, quanto ele se aprosima da realidade. A música que ele produz, que dele toca. E tudo é composto por 0´s e 1´s somente. Creio que em todo o universo só existem duas forças, em última instância, dois elementos. Nosso código númerico é o decimal. Utilizamos 10 algarismos para representar os números possíveis. Mas existe o o código binário, somente dois algarismos, o 0 e o 1. Com apenas estes dois algarismos podemos representar todos os números possíveis. Eu entendi o que tu falaste, mas traduzo para minha linguagem. Deus, na minha crença, é a superação da contradição. Do eu-tu é o nós. Do ying e yang é o Tao. Interessante usares o termo natureza, pois na minha religião a natureza é Deus. Perfeito por não haver contradição. A existência, neste mundo é uma contradição entre o espírito, que nos habita e anima, e a carne. Eu creio que estamos aqui para superar esta contradição e ver que da carne vem todos os males. Existem dois senhores na nossa cabeça, um diz: sabes o que deves fazer, o que é correto. Outro diz: para que se importar? faça o que tu queres. Em pessoas como nós a voz que nos acusa é tão forte que percebemos nossos erros e não nos conformamos em saber deles e não mudar. Ao contrário de muitos que nem percebem o que fazem. Por outro lado, sofremos por que merecemos, pois sabemos o correto e não fazemos. Tenho um tanto de dúvidas a respeito de muita coisa. Ainda não entendo bem o porque disto tudo. Poderia te falar mais coisas, mas esta mensagem já está por demais longa. Só sei que preciso de um sentido para viver. E, de tudo que já ouvi, o que mais se aproxima de dar um sentido as coisas é: estamos aqui para evoluir, nos tornamos melhores, superar a contradição, e que o espírito é superior a matéria. Beijo.
Não quero me intrometer na conversa alheia, mas o último comentário de Leone tocou no que acredito ser o cerne de minhas reflexões sobre “sentido da existência” e similares. Também tenho a percepção de que tudo é dialético, no sentido de que uma coisa sempre se opõe à outra coisa, formando um par. A pergunta sempre fica por conta da “superação”, ou seja, do momento de síntese, quando (para usar um dos exemplos citados) a carne e o espírito se tornam um indíviduo (embora eu não goste da divisão carne-espírito, serve para ilustrar). Na minha opinião, a maior dificuldade não é o momento de encontrar o elemento de síntese, de superação, de transcendência; na verdade, o mais difícil é conviver com o fato de que a dialética permeia tudo de modo tão perverso que até mesmo ações que se poderia dizer “puras” são imbuídas de seu contrário. Ou seja, qualquer superação, síntese, que destaquemos da realidade não é uma superação em si, e sim mais uma pergunta dialética. A infinitude destas questões impossibilita até mesmo considerar exatamente o que é um “erro” ou um “acerto”. Se estivermos incertos a respeito de tudo desta maneira, como persistir em uma ação? Por um lado, pode haver omissão; por outro, ação exagerada. Estaremos errados para sempre assumindo esta perspectiva – e não haverá transcendência em vista.
Pois é Vínicius. É por essas e outras que as vezes desejo nem ter nascido. Mas, já que to vivo, e sei que dá pra ser feliz, ainda que para isso temos que valer da ignorância, to tentando. Acho que até dá pra deixar de existir, até espiritualmente, mas parece que isso é mais difícil do que conseguir ser feliz. Abraço.
Leone Rocha said,
December 26, 2007 at 1:40 pm
Lori. Estás viva? Só hoje vim ler teu derradeiro comentário. Estou sem net no trampo e aqui de casa a conecção é por demais lenta. Não estou com cabeça para responder agora, até porque estou de saida. Hoje eu estou bem. Há uns dias atrás estava… bem. ce sabe. Te respondo daqui a pouco. Beijos.
Vinícius said,
December 26, 2007 at 7:28 pm
Mais felicidades no Reveillon.
Leone Rocha said,
December 27, 2007 at 9:30 pm
Lorena, tu és incrível!
o peso que carregamos é por se dar conta das coisas, boas e más. Tudo é movido pela contradição, eu-tu, bem-mal, dia-noite, tese-antítese, ying-yang, essas coisas. Sou maniqueísta. Veja o computador, quanto ele se aprosima da realidade. A música que ele produz, que dele toca. E tudo é composto por 0´s e 1´s somente. Creio que em todo o universo só existem duas forças, em última instância, dois elementos. Nosso código númerico é o decimal. Utilizamos 10 algarismos para representar os números possíveis. Mas existe o o código binário, somente dois algarismos, o 0 e o 1. Com apenas estes dois algarismos podemos representar todos os números possíveis. Eu entendi o que tu falaste, mas traduzo para minha linguagem. Deus, na minha crença, é a superação da contradição. Do eu-tu é o nós. Do ying e yang é o Tao. Interessante usares o termo natureza, pois na minha religião a natureza é Deus. Perfeito por não haver contradição. A existência, neste mundo é uma contradição entre o espírito, que nos habita e anima, e a carne. Eu creio que estamos aqui para superar esta contradição e ver que da carne vem todos os males. Existem dois senhores na nossa cabeça, um diz: sabes o que deves fazer, o que é correto. Outro diz: para que se importar? faça o que tu queres. Em pessoas como nós a voz que nos acusa é tão forte que percebemos nossos erros e não nos conformamos em saber deles e não mudar. Ao contrário de muitos que nem percebem o que fazem. Por outro lado, sofremos por que merecemos, pois sabemos o correto e não fazemos. Tenho um tanto de dúvidas a respeito de muita coisa. Ainda não entendo bem o porque disto tudo. Poderia te falar mais coisas, mas esta mensagem já está por demais longa. Só sei que preciso de um sentido para viver. E, de tudo que já ouvi, o que mais se aproxima de dar um sentido as coisas é: estamos aqui para evoluir, nos tornamos melhores, superar a contradição, e que o espírito é superior a matéria. Beijo.
Vinícius said,
December 28, 2007 at 4:37 pm
Não quero me intrometer na conversa alheia, mas o último comentário de Leone tocou no que acredito ser o cerne de minhas reflexões sobre “sentido da existência” e similares. Também tenho a percepção de que tudo é dialético, no sentido de que uma coisa sempre se opõe à outra coisa, formando um par. A pergunta sempre fica por conta da “superação”, ou seja, do momento de síntese, quando (para usar um dos exemplos citados) a carne e o espírito se tornam um indíviduo (embora eu não goste da divisão carne-espírito, serve para ilustrar). Na minha opinião, a maior dificuldade não é o momento de encontrar o elemento de síntese, de superação, de transcendência; na verdade, o mais difícil é conviver com o fato de que a dialética permeia tudo de modo tão perverso que até mesmo ações que se poderia dizer “puras” são imbuídas de seu contrário. Ou seja, qualquer superação, síntese, que destaquemos da realidade não é uma superação em si, e sim mais uma pergunta dialética. A infinitude destas questões impossibilita até mesmo considerar exatamente o que é um “erro” ou um “acerto”. Se estivermos incertos a respeito de tudo desta maneira, como persistir em uma ação? Por um lado, pode haver omissão; por outro, ação exagerada. Estaremos errados para sempre assumindo esta perspectiva – e não haverá transcendência em vista.
Leone Rocha said,
December 28, 2007 at 9:34 pm
Pois é Vínicius. É por essas e outras que as vezes desejo nem ter nascido. Mas, já que to vivo, e sei que dá pra ser feliz, ainda que para isso temos que valer da ignorância, to tentando. Acho que até dá pra deixar de existir, até espiritualmente, mas parece que isso é mais difícil do que conseguir ser feliz. Abraço.
Edson Junior said,
January 2, 2008 at 2:10 pm
Seria um suicídio passional?
Olá.
beto said,
January 18, 2008 at 6:07 pm
nossa, que ótimo!