Regurgito improvisado ou Pétalas desfalecidas no tanque de lavar roupa

February 25, 2008 at 3:12 am (Uncategorized)

Faço um sentido auto-irrepreendido.
Não corrompo o natural do meu fazer sentido.
Faço um sentido incompreendido,
naturalmente chamam de imoral ao meu fazer sentido.
Mas, apesar de me importar, não mudo meu comportamento;
faço sentido de acordo com o desenrolar do momento.
Faço sentido tanto quanto o jazz,
faço sentido como faço porque fazê-lo ao contrário
ou não fazê-lo, ou de outro jeito, como queira,
eu não poderia saber, é irrelevante.

Construo um sentido com as minhas mãos
inábeis, areio o terreno com essas unhas carcomidas,
essas, porque tive fome delas, como a terra, e se tenho fome eu como,
e se a fome é perigosa eu temo, e se tenho medo eu tenho,
mas ainda assim saio de casa para ir buscar,
do fundo do poço, a minha almazinha assustada,
que não sabe mais — não poderia saber mais
do que uma almazinha assustada saberia saber.

Oh, você não vai voltar, almazinha assustada,
você se assustou com o meu não fazer sentido; você
está tão acostumadazinha às coisas que fazem sentido,
não é mesmo, almazinha assustada? Eu
não posso fazer nada por você. Somos
inalcançáveis uma pela outra, almazinha desgraçada,
então está tudo bem, está tudo como está,
está tudo como aconteceu, como foi, como seu.

(Quero que você apodreça no inferno.)

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