(Irônico) Elogio da Loucura
Professor John,
I am writing now to officially quit my iniciação.
I have rather personal than academic reasons for it. But I suppose quitting is most often so.
I heartily thank you for your attention and time since last October. Do believe the worst part of all this is to have to disappoint you. I just ain’t right for the job. Can’t take these responsibilities, they’ve been too hard on my health. I ain’t worth your time, ain’t worth the money. I’m sorry.
Goodbye,
L. M.
***
“Quando Platão parece duvidar se deve colocar a mulher na classe dos animais racionais ou na dos brutos, ele quer apenas nos indicar com isso a extrema loucura desse sexo encantador. Com efeito, se acontece de uma mulher querer passar por sábia, ela não faz senão acrescentar uma loucura à que já possuía; pois, quando se recebeu da natureza algum pendor vicioso, querer resistir-lhe ou ocultá-lo sob a máscara da virtude é aumentá-lo. Um macaco é sempre um macaco, diz um provérbio grego, mesmo quando vestido de púrpura. Do mesmo modo, uma mulher é sempre mulher, isto é, sempre louca, ainda que se esforce por disfarçá-lo.
(…)
Platão definiu a filosofia como ‘meditação da morte’, porque uma e outra elevam a alma acima das coisas visíveis e materiais. Ora, um homem é considerado como tendo bom senso enquanto sua alma age regularmente sobre os órgãos do seu corpo; quando essa alma, tendo rompido seus laços, busca libertar-se e escapar da prisão, diz-se então que ele é louco. (…) Acontece, porém, que pessoas acometidas dessa loucura predizem o futuro, conhecem as línguas e as ciências sem tê-las aprendido e oferecem em toda a sua pessoa algo de verdadeiramente divino. Isso por certo se deve a que a alma, um pouco desligada dos laços do corpo, começa a exercer suas faculdades naturais.
(…)
Essa pequena gota de loucura que os justos saboreiam já na terra, acaso não se percebe no pequeno número de santos que têm a felicidade de possuí-la? Eles dizem coisas que não têm ligação entre si, nem ligação com a linguagem ordinária dos homens; sua boca forma sons desprovidos de sentido, e sua fisionomia se transforma, num instante, de mil maneiras diferentes. Ora agitados e alegres, ora tristonhos e abatidos, eles choram, riem, suspiram de um momento a outro; em suma, estão completamente fora de si mesmos. Voltando a si, não sabem mais de onde vêm, ignoram se estavam ou não em seu corpo, se estavam acordados ou se dormiam; esqueceram o que viveram, o que ouviram, o que disseram, o que fizeram; ou, se lhes resta alguma idéia, ela se assemelha à impressão confusa deixada na memória por uma ilusão passageira ou por um sonho agradável que se dissipa ao despertar. Tudo o que eles podem afirmar é que foram muito felizes durante o tempo todo dessa alienação voluptuosa; assim, ficam desolados de voltar a seu triste bom senso, e o mais ardente de todos os seus desejos é poder viver eternamente em meio aos transportes deliciosos dessa feliz loucura.”
—Erasmo de Rotterdam, em Elogio da Loucura (1501).
Comprei esse livro no aeroporto de Brasília, durante as indas e vindas a São Paulo para fazer as provas da Fuvest. Hoje ele pulou do armário em cima da minha cabeça. Completamente irônico.
In Media Res
Talvez a certeza cega de um amanhã
é que me permite, assim tão seguramente,
repousar o livro
que conta a história de nossas vidas
sobre a remota escrivaninha:
A segurança de termos tempo
ainda para contemplar
nossa história sem sequer começo.
Certamente estaremos velhos
e mudos no final do livro,
Que repousa porque temos tempo
e eu já estou tão cansada, meu filho.
Tu não morrerás (que, antes,
se extinga o silêncio, antes,
se cale o silêncio, antes, que ensurdeça);
Eu sei que serei feliz, e tu, meu protagonista.
Mas, antes, não houvesse história.
Toda eternidade é efêmera.
O fim das coisas não conta
mais do que têm verdade as entrelinhas
Dos grandes acontecimentos.
O silêncio que nos antecede
é aquele mesmo de quando
da morte da primeira estrela,
aquela que vês até hoje.
Descansemos mais um pouco.
Esse tempo que nos separa
foi feito para nos amarmos
ainda mais e mais ardentemente
do que quando formos eternos.
Enquanto isso, sublime, o teu sono
marca a página do livro, aquela
onde a vida espera.
(Mas nunca para sempre).