In Media Res
Talvez a certeza cega de um amanhã
é que me permite, assim tão seguramente,
repousar o livro
que conta a história de nossas vidas
sobre a remota escrivaninha:
A segurança de termos tempo
ainda para contemplar
nossa história sem sequer começo.
Certamente estaremos velhos
e mudos no final do livro,
Que repousa porque temos tempo
e eu já estou tão cansada, meu filho.
Tu não morrerás (que, antes,
se extinga o silêncio, antes,
se cale o silêncio, antes, que ensurdeça);
Eu sei que serei feliz, e tu, meu protagonista.
Mas, antes, não houvesse história.
Toda eternidade é efêmera.
O fim das coisas não conta
mais do que têm verdade as entrelinhas
Dos grandes acontecimentos.
O silêncio que nos antecede
é aquele mesmo de quando
da morte da primeira estrela,
aquela que vês até hoje.
Descansemos mais um pouco.
Esse tempo que nos separa
foi feito para nos amarmos
ainda mais e mais ardentemente
do que quando formos eternos.
Enquanto isso, sublime, o teu sono
marca a página do livro, aquela
onde a vida espera.
(Mas nunca para sempre).
vagante sintilante said,
March 20, 2008 at 8:03 pm
inutilezas que a vergonha esquece de mostrar
será tão necessário preservar estes túneis?
mas então tudo será descoberto…
que medo
até pavor
Emmanuel said,
March 27, 2008 at 2:45 pm
Lorena,
Este é o seu poema que mais gostei, até mesmo mais do que o “Ventre”; no entanto, precisei de mais tempo para apreciá-lo, para percorrer o seu labirinto de sutilezas. Na primeira leitura, não achei nada demais nele, mas gradativamente acabei me sintonizando na freqüência dele. Está demais.