The middle of something

April 24, 2008 at 10:09 pm (Uncategorized)

Today, after class, I went to his desk.

- Hey. Just to say that I… I’ve-decided-to-officially-quit-my-iniciação. I just think I’m better do my research on my own and
- If you want to do a mestrado afterwards, it’s impor
- I don’t think so. I don’t think I’ll ever do a mestrado.
- Ok.
- But thanks, really, for everything. And sorry if I misused your time or…
- No, no.
After a pause:
- Not at all.

I got up. I was on my knees beside his desk.

- Anyway, thanks a lot. You know, it’s just so hard. I get stomachaches and everything.
- Really?
- Yeah. I am not academic…
After a pause:
- I am not.

And we glanced by-bye.

Permalink 6 Comments

Flor de Lupus

April 22, 2008 at 10:26 pm (Uncategorized)

A J. E…

Eles vêm com seus sorrisos meninos, suas barbas mal-feitas, seu eterno jeito maltrapilho. Calados, obscuros, por vezes até rudes. Têm na cabeça mais idéias do que mil fêmeas assexuadas lograriam condensar, mas vivem sempre da pedra do mundo, de tudo que há mais real e praticável no mundo.
Encontro-os pela noite, indiferentemente embriagados, velhos e excitados sexualmente. Esses homens estão sempre excitados sexualmente. Eles são tristes e belos, têm a simplicidade primitiva dos melhores reprodutores. Você não pode senão se apaixonar.

Primeiro, o cigarro aceso, o cruzar de pernas, todo o esgotável arsenal do charme feminino. Que, com um homem desses, raramente funciona. Então, a humilhação, a paixão, a embriaguez, o furor. Você já precisa dele como se o tivesse visto também à luz do dia. Você quer que ele a subjugue de todas as formas possíveis, o seu prazer é servi-lo, o seu deleite máximo seria drenar o cansaço daqueles olhos tão negros, substituindo-o por um cansaço melhor. Você está bêbada, a noite vai se esvaindo e aquele homem pôs a pata enorme sobre a sua vida. Você mal respira.

Ele desaparecerá para sempre no intervalo de você dar um trago no cigarro. Você o procurará por todos os cantos e, aflita, ao perceber sua ausência cabal, tomará um táxi e derramará duas lágrimas no caminho de casa. Em casa, desabará morta no sofá, mas antes escreverá um poema que meses depois você encontrará por acaso numa gaveta e não fará idéia de quando ou por que o escreveu.

Aquele homem permanecerá na sua cabeça durante a semana, como um peso no seu ventre. Mas que necessariamente se dissipará com a chegada do próximo sábado.

Permalink Leave a Comment