Amor e Autismo

May 6, 2008 at 11:44 pm (Uncategorized)

No nó do meu cotovelo,
um novo adendo: contundido,
um roxo esquálido desabrochado
para a tua beleza malsã.

É teu, é teu, chama-se com teu nome,
é obra tua, teu filho, o que eu tenho
sob a minha pele para te dizer:
minhas esperanças estão magoadas.

Ó sol, morno sol, que falta
fazias, que presença, como eu me fechava
para não me queimar e minh’alma
em tua respiração aurífera!

Num sopro fechaste meus olhos:
trouxeste as sementes do dia
em que sonhei com meu fim ofegante;
e eu jamais quisera terminar,

Que teimosia de Quixote eu tinha!
Assinalavas o meu horizonte
com a dor de que eu me cria nascida,
e as minhas noites tão frementes

Eram um tremendo romantismo aceso
para gerar a tua sombra em meu peito,
para que eu me justificasse ausente
da alegria da vida que eu tinha

E renunciava por te ter por perto.

***


“Ventre”

***

“Behind joy and laughter there may be a temperament, coarse, hard and callous. But behind sorrow there is always sorrow. Pain, unlike pleasure, wears no mask. Truth in art is not any correspondence between the essential idea and the accidental existence; it is not the resemblance of shape to shadow, or of the form mirrored in the crystal to the form itself; it is no echo coming from a hollow hill, any more than it is a silver well of water in the valley that shows the moon to the moon and Narcissus to Narcissus. Truth in art is the unity of a thing with itself: the outward rendered expressive of the inward: the soul made incarnate: the body instinct with spirit. For this reason there is no truth comparable to sorrow.” (Presente para vocês)

4 Comments

  1. Vinícius said,

    Pode ser suspeito, justo hoje em que você me acusou de não te elogiar nunca (acusou tão sem pensar que nem considerei injustiça), eu vir aqui para elogiar. Pois deste poema eu gostei, principalmente da segunda metade. E o mais divertido: sem rolar aquela coisa que chamamos “identificação”. Sua poesia é para mim quase sempre algo um tanto intangível, algo alheio. Observo seus bons poemas como observo os moais da ilha de Páscoa (e talvez por isso citei aquele poema em seu post do Neruda); com alguma admiração e, ao mesmo tempo, perguntando-me se eles efetivamente são do mesmo mundo que eu.

  2. LM said,

    Vinícius, boa parte das coisas que eu falo são sem pensar, lembra? E se eu disse que você não elogia (não só a mim como a todos nós seus amigos) é porque na maioria das vezes que você elogia parece ser a contra-gosto. Sei lá. Isso foi pensado, então pode ser que seja uma injustiça.

  3. Vinícius said,

    Eu acho que é mesmo uma injustiça. Mas, pensado ou não, sem problemas.

    Afinal de contas eu gostei mesmo do poema.

  4. Leone Rocha said,

    Sentir-se tocado e tocar. To meio de mal com o amor e comigo mesmo. Com o amor já tem um tempo. Cansei de ser Quixote. Na verdade to como o Quixote depois da tomada de consciência de suas atitudes. O vazio de mim é que mais me atormenta. Ando pensando em ti mais do que de costume. Sei lá, tudo é virtual hoje em dia. Parece que até eu mesmo. Encontrar a pessoa certa parece agora mais que um conto de fadas. Te ver alimenta alguma esperança em ter esperança. Sei lá… sei lá.

Post a Comment