Sede
I have drank of a water
That quenches all thirst:
Of a water that flows,
With a lullaby sound,
From a spring but a very few
Feet under ground—
From a cavern not very far
Down under ground.
- Edgar Allan Poe
*
Suave lobo que moras
na montanha mais distante
do reino mais alto do mundo,
o que farás essa noite?
Robusto pássaro, levas
de afetadas ratas te rondam,
querem lavar-te de alívio,
de quem serás essa noite?
Facada em meu peito extremo,
caminhas de olhar embotado
e boca apertada num gesto
de farta agonia, ou desejo?
Cadáver em plena surdina
da madrugada caduca,
teu grito invadiu-me a janela,
será que saiu de meu ventre?
Ó rasa lágrima, ó rosa
apertada entre meus cílios,
ó mãos de menino quieto,
deixa-me partir teu crânio?
Suntuosa inocência, perigo,
meu guardião e algoz, meu ereto,
ó rude réptil ancestral,
posso morar em tua garganta?
Posso velar teu sofrimento
em minhas páginas vazias?
Posso inventar a tua vida
em minhas páginas sozinhas?
Posso sentir a tua pele
em minhas páginas sentidas?
Posso chupar a tua boca
em minhas flácidas páginas?
Leone Rocha said,
June 11, 2008 at 9:19 pm
Só consigo imaginar que teu coração aguenta pq eu também to vivo. Se bem que às vezes me pergunto se de fato estou.
LM said,
June 13, 2008 at 12:31 am
É um problema. Já escrevi sobre isso aqui… Meu coração não quer mais aguentar. Mas é preciso coragem pra parar com o fingimento.