Essencial diferença

September 30, 2008 at 8:55 pm (1)

O que diferencia os espíritos criativos dos espíritos passivos: esses passam a vida toda tentando entender (acreditam), enquanto aqueles tentam explicar (inventam).

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Dicotomia prazerosa

September 18, 2008 at 11:39 pm (1)

“Lógica dos homens: ou é sábado ou é domingo; ora é sábado, logo não é domingo.
Lógica das mulheres: ou chove ou não chove; ora chove, logo não chove.”

(Monteiro Lobato, em Mundo da Lua)

O bom de ser mulher (portanto, louca) é ter acesso heterossexual aos homens!

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Desses poemas sobre todas as coisas, que no futuro eu destruirei

September 14, 2008 at 9:24 pm (Poesia)

Como se fosse feita de caminhos,
percorro minha alma incumbida
de levar meu corpo a seus extremos,
e encontro no meio do caminho
uma esfera chamada coração
que me gela os olhos como um peixe,
desmente-me perante meus iguais,
agrava-me pior do que já sou;
é o verdadeiro pendor racional,
polegar opositor a que se devem
todas as minhas incursões
de humano rebelde contra a estase—
rebeldia cuja cauda em chamas
come de volta o tempo que lhe falta,
e um mar desesperado embaixo espera
pois se alimenta do suor que expilo:
ao mesmo tempo em que amortece a queda,
eleva-me à loucura de saber-me filho
e nunca ter criado qualquer coisa.

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Fragmento

September 10, 2008 at 2:39 am (Poesia)

O teu choro pingado na noite. Olor de terra, teor
de lágrima drogada, dorida,
dilui essas quatro paredes,
enxerta outros tons na manhã.
O mundo hoje é o que restou da tua
noite insone, poeta.

Eu te espero acordada,
boquiaberta, como um sonho
sonâmbulo. E trazes
tua mágoa dilatada
para eu consumir e sanar
com os olhos abertos,
em teu pêlo absortos.

Chora mais, chora mais,
teu choro agora é o meu enleio,
tens gosto de terra e de leite,
és minha baça transpiração.
Emborco tua cilada de
cavalo de três pernas firmes
para dentro da minha noite,
sou caverna, templo, fúria malsã.

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Dor de cotovelo & Emily Dickinson

September 5, 2008 at 12:49 am (Tradução)

Poemas do livro Amor (os poemas completos dela foram organizados em livros: Vida, Amor, Natureza e Tempo & Eternidade).

***

V.

Orgulhosa de meu coração partido desde que o partiste,
Orgulhosa da dor que eu não senti antes de ti,
Orgulhosa dessa noite minha desde que de luas a satisfizeste,
Para não tomar parte em tua paixão, eu, humilde.

*

XLIV.

Ó noites! Ó fúria!
Contigo estivesse,
Tais noites seriam
A nossa luxúria!

São fúteis os ventos
Ao peito aportado –
Bem longe de mapas,
Bem longe de bússola.

Singrando no Éden!
Ah! o mar!
Se ao menos pudesse
Em ti ancorar!

*

XXVIII.

Pai, não é a mim que te oferto,
Que seria encomenda menor;
Trago-te aqui este coração régio
Que não consegui suportar.

O coração ninado dentro ao meu
Até este encher-se de pesar,
Ainda que mais intenso do que antes,
Será que o poderás tomar?

*

(Desse eu não colocarei o original e pedirei a confiança de vocês.)

(…)
Então devemos estar apartados,
Tu aí, eu aqui,
Com apenas essa porta aberta
Que os oceanos são,
E preces,
E aquela sustentação pálida,
Desespero.

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