Dor de cotovelo & Emily Dickinson
Poemas do livro Amor (os poemas completos dela foram organizados em livros: Vida, Amor, Natureza e Tempo & Eternidade).
***
Orgulhosa de meu coração partido desde que o partiste,
Orgulhosa da dor que eu não senti antes de ti,
Orgulhosa dessa noite minha desde que de luas a satisfizeste,
Para não tomar parte em tua paixão, eu, humilde.
*
Ó noites! Ó fúria!
Contigo estivesse,
Tais noites seriam
A nossa luxúria!
São fúteis os ventos
Ao peito aportado –
Bem longe de mapas,
Bem longe de bússola.
Singrando no Éden!
Ah! o mar!
Se ao menos pudesse
Em ti ancorar!
*
Pai, não é a mim que te oferto,
Que seria encomenda menor;
Trago-te aqui este coração régio
Que não consegui suportar.
O coração ninado dentro ao meu
Até este encher-se de pesar,
Ainda que mais intenso do que antes,
Será que o poderás tomar?
*
(Desse eu não colocarei o original e pedirei a confiança de vocês.)
(…)
Então devemos estar apartados,
Tu aí, eu aqui,
Com apenas essa porta aberta
Que os oceanos são,
E preces,
E aquela sustentação pálida,
Desespero.
LM said,
September 5, 2008 at 1:18 am
Esses não são os melhores poemas de amor dela. Isto é, há outros incontáveis e lindos poemas de amor que eu ainda não me fiz digna de traduzir, porque, afinal de contas, preciso estudar (“a USP atrapalha meus estudos”), trabalhar, dormir, enfim, fazer coisas de gente comum, que ainda não virou cadáver.
A Emily Dickinson me aniquila. Como diria o Holden Caulfield (se você não sabe quem é Holden Caulfield, vá descobrir AGORA):
Boy, It kills me.
Sem ponto de exclamação. O Holden Caulfield não precisa usar pontos de exclamação para ser enfático ao dizer que alguma coisa o aniquila. Afinal de contas, é o Holden Caulfield.
Mas como você nem existe, meu interlocutor, por hoje ficamos aqui.
diego said,
September 6, 2008 at 4:09 am
Como sempre, eu fico com aquela impressão de que entendi “menos do que deveria”, talvez pela minha atual falta de sensibilidade, ou talvez pela minha falta de conhecimento literário.
Mas vale dizer que achei as poesias muito belas. Não só no sentido formal de ‘beleza’, meramente aparente.
Realmente tudo o que eu leio neste blog sempre me faz pensar… Confesso, inclusive, que é algo que chega a ser incômodo: sinto-me inquirido a prestar contas sobre o tipo de literatura que digeri anos atrás, quando me interessava apenas pela linguagem poética.
Mas enfim, ainda aguardo por uma janela na parede do acaso, para que você possa tomar café comigo!
beijos
tuto said,
September 7, 2008 at 9:22 pm
gostei do V… gosto de café também – de me sentir inexistente (nossa foi bom), no mais sempre hesito dizer… principalmelmente coisas de inglês [rs]
deixo um neo-trocadilho pra resumuir… hexit
Leone Rocha said,
September 8, 2008 at 9:38 pm
Apesar dos pesares, estou de mal com o amor. Quase escrevo: “não sei se tem volta”. Mas o amor é a própria imprevisibilidade. To tentando me conformar com o que tenho. Na verdade, é tolice. Quero paixão. Amor é diferente. Querer a paixão, confundi-la com o amor… tolice.