A lua e o teixo
(Tradução do poema de Sylvia Plath The Moon and the Yew Tree)
Essa é a luz da mente, fria e planetária.
As plantas da mente são negras. A luz é azul.
A grama descarrega suas mágoas em meus pés como se eu fosse Deus,
Alfinetando meus tornozelos e murmurando de sua humilhação.
Vaporosas, fantasmagóricas névoas habitam este lugar
Separado de minha casa por uma fileira de lápides.
Eu simplesmente não consigo ver aonde se pode chegar.
A lua não é uma porta. É uma face certa por si mesma,
Branca como uma junta e terrivelmente irritada.
Ela draga o mar para si como um crime obscuro; é quieta
Com sua boca em O aberta em completo desespero. Eu moro aqui.
Duas vezes no domingo, os sinos alarmam o céu—
Oito grandiosas línguas afirmando a Ressureição.
No final, eles sobriamente anunciam seus nomes.
O teixo aponta para cima, sua forma é gótica.
Os olhos se erguem para vê-lo e encontram a lua.
A lua é minha mãe. Ela não é meiga como Maria.
Seus véus azuis soltam pequenos morcegos e corujas.
Como eu gostaria de acreditar na ternura—
A face da imagem, suavizada por velas,
Deitando, em mim especialmente, seus olhos leves.
Eu vim caindo um longo caminho. Nuvens florescem
Azuis e místicas sobre a face das estrelas.
Dentro da igreja, todos os santos serão azuis,
Flutuando em seus pés delicados sobre os bancos frios,
Suas mãos e faces severas com santidade.
A lua não vê nada disso. Ela é calva e selvagem.
E a mensagem do teixo é escuridão — escuridão e silêncio.
***
Sabe-se desse poema que Sylvia o escreveu a partir de sugestão de Ted Hughes, que apontou a paisagem de fora da casa deles e sugeriu que ela escrevesse um poema sobre o que via ali, como um “exercício”. O ano é 1961.
A minha tradução é mais literal do que poética, obviamente.
Leone Rocha said,
January 16, 2009 at 9:15 pm
Uma das metas em minha vida é ser fluente em inglês. É uma porta que tem que ser aberta.
Quer dizer que há uma resposta? Hmm… mais um motivo para eu querer que dê certo de ir.
Beijos.
Patrícia Velloso said,
January 21, 2009 at 11:23 am
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaa, você postou esse texto!
Nem preciso dizer a beleza dele…Aliás, você me fez conhecer esses versos.
beijinhos;**
Patrícia Velloso said,
January 21, 2009 at 11:28 am
Esqueci! Já que meu blog terá fim ainda essa semana (o Mateus fica enrolando pra comentar só pra eu não excluir!), não nos comunicaremos mais! Então, sei lá…Se você tiver orkut ou coisa assim… Enfim, espero ansiosa sua resposta!
Marie said,
January 21, 2009 at 6:04 pm
Ainda estás em Belém? Chego aí depois de amanhã.