Momentos distintos em “Alteridade”
Primeiro momento: Idílio ou Reconhecimento ou Encontro ou Miragem
— Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia…
(Manuel Bandeira – não somente o que se diz nesse trecho, mas principalmente o sentimento presente aqui, que nós conhecemos porque lemos a Epígrafe do livro “Carnaval” e todos os poemas desse livro belíssimo)
Segundo momento: Separação ou Desalojamento ou sinônimos
(…) Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver…
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir…
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim —
Um bocado de ti e de mim!…
(Álvaro de Campos)
E assim, de modos diversos que se sucedem e se anteparam, se nos afigura o Outro – essa figura mítica que nos faz sentir ora nítidos, ora borrões em desexistência.
O Eu não é mais fatídico que o Outro. O Outro – é ele quem pode tudo.
LM said,
June 3, 2009 at 3:25 am
Sim — Rimbaud — “Eu é um Outro”.
A espiral absurda que nos movimenta.
Leone Rocha said,
June 4, 2009 at 9:24 am
Como gostaria de saber como é meu olhar. Só o outro sabe.
Deprimida? Se puderes conseguir uma música do R.E.M chamada “Everybody hurts”, talvez eu até já tenha te falado dela. To em uma fase boa, rogo a todos os poderes superiores que não sofra mais tanto, que não doa tanto o coração. Sentes dores no coração?
Beijo.
Leone Rocha said,
June 5, 2009 at 1:11 pm
Fui responder teu comentário acabou dando um post.
Quem terminou? Parece que a companhia amorosa nos é negada. O que fez acabar? Quero saber até que ponto somos tão parecidos.
Leone Rocha said,
June 6, 2009 at 4:32 am
Não é questão de confusão, é questão de não querer magoar. Posso te falar um montão de coisa a respeito do menino confuso e tu, pois já passei por isso. Responda-me, até para saber como agir melhor pois de vez em quando passo por isso. O que é melhor, o cara enrolar ou chegar e dizer direto: não to curtindo ficar contigo?