Ricto final
Fim. Porque cansei de escrever em um blog cuja epígrafe se passa em um hospital. Foi necessário que eu escrevesse os textos que se encontram no arquivo desse blog, porém já não os quero acorrentados a cada nova palavra minha. Quero um caderno novo, branquinho, onde eu possa errar à vontade, sem precedentes. Ei-lo:
Essa história já acabou. Quem quiser que conte outra.
Conversando cá com meus botões…
Gente, preciso verbalizar isso. São 3:30 da madruga e eu acabei de ficar de férias… por uma semana! Por uma semana, não terei que me preocupar com entregar trabalhos! Por uma semana, nenhum trabalho genial sobre modernismo americano escrito na véspera por oito horas a fio, ai meu estômago. Por uma semana, não ter que pagar ninguém para fazer as tarefinhas picaretas. Por uma semana, nada de 13 páginas alucinadas sobre Álvaro de Campos… Nada de Leibniz, nada de primeira enteléquia de um corpo natural que possui órgãos… Por uma semana, NADA! só leituras pessoais e prazerosas!
Esse semestre foi muito louco, e lá de onde eu venho “muito louco” significa do caralho, muito bom. Acho que pesquei o espírito da coisa, academicamente. O importante é se DIVERTIR na academia, usá-la ao seu favor (mas isto só é possível a partir do momento em que vc já sabe mais ou menos o que quer, ou no mínimo o que não quer). Eu sou praticamente formada em Letras e as coisas mais importantes que aprendi não constam na grade do curso. Já que nós sabemos que os cursos superiores no Brasil (os de humanas, pelo menos) não especializam ninguém em nada (de fato ENSINAM quase nada, a não ser indiretamente), resta-nos partir deles, sugar o que eles tem de aproveitável, driblando as suas burocracias retardadas, e buscar à nossa maneira a nossa especialização. Eu ainda defendo a FFLCH. Ela é uma ótima biblioteca e tem professores muito bons, se bem que sejam minoria. Não importa. Entrar pela floresta de espinhos e colher os raros frutos doces que se escondem aqui e ali. Vocês, que estão deixando a FFLCH, tem bons motivos para isso, mas não estou certa se a ousadia valerá a pena. Ainda penso, cá com as parcas informações que chegam a esses ouvidos tão moucos às coisas sérias e políticas, que o melhor é enfrentá-la: conquistar um distanciamento, ter margem de manobra em relação à normalidade daquele ambiente que não chega a ser hostil, limitando-se a não causar estímulos positivos.
O estímulo deve partir de você. O auto-didatismo é muito mais eficiente se aliado à faculdade. Todos nós temos 20 e pouquíssimos anos, aliás. Já estamos quase lá, mas ainda não chegou a hora do supremo desespero.
Eu vou me formar em Letras e vou entrar no mestrado da Filosofia. Vou me meter no meio da corja da “desfragmentação do eu moderno”. Ora, se nem quando eu quis eu consegui me imiscuir nos meios que frequentava. Quero as aulas, quero saber o que eles pensam. Mas o meu pensamento, porque sempre foi assim, pairará disperso, tendo outras preocupações. Sozinha, não conseguirei descobrir o que penso. Preciso desse referencial, e que bom que ele seja burro, pois torna a tarefa mais fácil.
Se todo mundo usasse drogas, momentos como esse seriam muito menos legais.
Citação meio a propósito, meio aleatória
your star, steel-set, keeps lone and frigid tryst
to freighted ships, baffled in wind and blast.
(tua estrela, feita em aço, mantém solitário e frígido pacto
com navios de carga, estancada/os em golpes de vento.)
H.D., poetisa do modernismo americano